26 de janeiro de 2009

Dá-me pena...

... ouvir notícias como a que diz que Berardo está à beira da falência.

Ao contrário de muitos que dizem "eu dos ricos não tenho pena", eu tenho, pois são eles que dão emprego aos pobres. Se os ricos ficam pobres, os pobres mais pobres ficam. A economia precisa dos ricos. De desconfiar é dos ricos que, em tempos de crise, ficam mais ricos... esses sim, era corrê-los à fisgada...

O caso do Berardo dá-me particular pena pois ele fez riqueza por mérito próprio, do seu olho para o negócio, não às custas de mão-de-obra barata ou negócios obscuros (até ver...). Ele limitou-se a tirar partido do mercado especulativo e com dinheiro foi fazendo mais dinheiro. É um filho do capitalismo feroz. Com a volatilidade do mercado, estava na linha da frente para ser atingido pelo primeiro fogo desta "guerra" da crise...

Mais pena me dá saber que, ao ter dado aos bancos as obras de arte que ao longo da vida foi adquirindo, acaba por perder um património inestimável, não só do ponto de vista económico, como sentimental. A arte nunca desvaloriza e não há duas obras de arte iguais. Enfim, o homem deve sentir-se como se tivesse perdido também um pedaço dele.

Não é porque os ricos o são, que julgo que venderam a alma no meio dos seus negócios e perdem a capacidade de se abaterem... Tal como os pobres, também merecem a minha piedade (embora não seja o mais nobre dos sentimentos...)

3 comentários:

Jorge Rita disse...

Para uma acérrima esquerdista está com um discurso muito Manuela Ferreira Leite...

Flávia disse...

Penso que o artigo é claro quanto às distinções que faço. o meu esquerdismo não inclui insensatez ou irracionalidade. Mas sou visceralmente esquerdista. Não é por isso que vou nutrir ódios ou satisfação pessoal do mal alheio só porque há gente mais rica que eu. Há que dar mérito a quem o teve. E há acontecimentos injustos. Toca a todos.

Só que de momento é "banal" falar do desemprego; da pobreza que ataca mais os pobres. Fenómeno é a falência dos milionários e isso acaba necessariamente por arrastar-nos por contágio, por irremediavelmente dependemos deles...

Flávia disse...

ATENÇÃO: nem com este post quis dizer que é por isso que tem que o Governo tem logo que ir a correr socorrer cada rico que cai na banca rota, injectando milhões. ISSO É ASQUEROSO E INSULTUOSO, uma afronta a quem passa necessidades nesta fase tão dificil...

A situação que retratei no post merece-me apenas isto: pena.