14 de novembro de 2008

Mais depressa um homem abdica da sua pila que uma mulher do seu útero?

Esta pergunta surgiu-me na sequência da notícia sobre a segunda gravidez do trassexual norte-americano, o primeiro homem a ser mãe... biologicamente (LOL)

Eu não fiz parte da plateia que se entreteve com ar de espanto e até repulsa a acompanhar o caso aquando da priemeira gravidez.

Acenei foi a cabeça em sinal de reprovação pelo tom usado pelos Media portugueses em relação a esta notícia, referindo-se ao caso como se de uma anomalia genética se tratasse. Fez-me lembrar aqueles episódios que aconteciam no início do século passado, quando havia expedições a locais remotos do planeta, alguns pisados pelo homem branco pela primeira vez, e essas equipas de pessoas cultas encontravam seres siameses, mulheres com barba, homens com testículos gigantescos (tumores benignos, claro está), e crentes de que tinham descoberto monstros, raptava-nos dos seus locais de nascença - sem pedir licença - e transportavam-nos, enjaulados, para as grandes metrópoles, a fim de serem exibidos ao mundo como grandes aberrações. Embriagados pelo fascínio da anormalidade, esses expedicionários nem tempo (nem capacidade) tinham para reflectir que aqueles abortos andantes eram pessoas, na sua essência, iguais a todas as outras - sentiam medo, saudade, amor, vontade própria. Só não eram donas do próprio destino, porque outros se julgavam no direito de sobrepor a sua vontade à deles e, pior, decidir sobre o rumo da vida alheia...

Dá para perceber onde quero chegar? Se calhar ainda não, pois sobre este assunto eu gostaria de dizer tantas coisas que acho erradas, que sou capaz de cruzar as ideias todas e perder o fio à meada...

Começo pelas catalogações. Parece que é obrigatório etiquetar tudo e todos, formatar as pessoas. E por isso tudo o que saia dessa standardização passa a ser uma... anomalia.
Uma mulher pode escolher ser homem. Isso a sociedade já aceita, mas com essa mania de tudo ser categorizado, se uma mulher vira homem, então não pode engravidar, porque... é homem... e deixou de ser mulher. Esta linha de ideias é aceitável se vier de um cidadão comum mas não dos Media. Não digo que eles tenham demonstrado preconceito, porém fizeram do assunto um circo e não contribuíram para desmistificar que não importa qual a percentagem de masculinidade e feminidade que uma pessoa tem. Importa é a PESSOA que é, e lembrar que tem um objectivo comum a todos os seres humanos: ser feliz.

Aquele homem descobriu que ainda tinha ainda algo dentro dele que podia contribuir para realizar um sonho, fazendo-o feliz a si e aos que o rodeavam: ter um filho.

O que retive desta história é que a felicidade pode surgir mesmo do último acto de esperança: ele mudou de sexo, depois entrou o amor da sua vida, quis ser pai, mas por azar a mulher era estéril. Nem quero imaginar a felicidade que terá sentido ao saber que afinal, aquilo que lhe restava do facto de ter sido mulher - o aparelho reprodutor - lhe poderia possibilitar ainda realizar esse sonho.

Agora se é um homem que deu à luz... isso não é a notícia.. pelo menos para mim.

4 comentários:

Bruno Marques disse...

Para mim estas histórias são sempre esquisitas. Acho que é neste tipo de momentos que gosto de ser antiquado e convencional.

Tu sabes que me fazem confusões as trocas e beijos de bigode com bigode. Tinha um amigo meu na escola que dizia que cada buraco tem a sua função. :) tipo aquela do "cada macaco no seu galho". E acho que faz todo o sentido...:)

flá disse...

sei sim, bru. mas olha q tb há mulheres com bigode..

a mim n me faz a minima confusão, desde q sejam felizes..

Isandes disse...

Eu não sou preconceituosa, até pk tenho vários amigos gays (transexuais, k saiba não...)
Na posso opinar sobre o trablaho dos media, pk na acompanhei.
Mas o 1º sinal de hipocrisia k detecto nesse sr(a) é qd diz "tou a ser discriminado pelos médicos". Please!?! A diferença tem de ser admitida pelo próprio, antes de tudo...
Depois, há outra kestão k me preocupa: a criança há-de ser adulta e não é fácil pertencer a minorias...

flá disse...

oh isa, eu n sei se ele disse isso em relação aos médicos. Poderá ter dito mas n o escutei/li.

Mas em relação às crianças, eu acho q quem está de fora preocupa-se sempre muito com o que a criança vai pensar quando crescer, se vai entender e tal, mas eu acho que isso é o que menos interessa se ela crescer com amor, educação e nada lhe faltar.Não faltam casos de crianças que cresceram em lares pouco convencionais mas tiveram tudo o que um ser humano necessita para ser "saudável" e, por isso, tornaram-se adultos com uma mente mais tolerante e aberta a aceitar as diferenças.

Mas isto é apenas a minha opinião, de senso comum, que eu nem tenho nenhuma especialização no assunto :-)